Horário síncrono: 19h30 – 21h30
Datas das aulas: 15, 22, 29 e 06 mai
Gravação disponível até: 06/06 e 31/12 (plano Cátedra)
Professora: Débora Tavares
Aulas ficam gravadas
Oferecemos certificado na categoria de curso livre remoto
R$ 180 (para as 04 aulas)
Este curso investiga o processo de adaptação de obras literárias para o audiovisual, desconstruindo o mito da “fidelidade” ao texto original. A partir das teorias de Linda Hutcheon, da engenharia de roteiro de Robert McKee e das reflexões de Julio Cabrera e Jean-Claude Bernardet, analisaremos como a palavra escrita é traduzida em estrutura dramática, montagem e imagem. Passando pelo drama sci-fi existencial, blockbusters de ficção científica e chegando à era do streaming, os alunos aprenderão a ler o filme e a série como obras autônomas, capazes de filosofar e refletir a cultura através de sua própria linguagem.
CRONOGRAMA
Aula 01 – A teoria: princípios de roteiro, linguagem e o fim da “fidelidade” Nesta aula inaugural, estabeleceremos a base teórica e o vocabulário crítico do curso. Usando Linda Hutcheon, vamos destruir a ideia de que “o livro é sempre melhor” e entender a adaptação como uma tradução para um novo meio. Em seguida, mergulharemos nos conceitos de Robert McKee para compreender como a literatura (focada na internalidade) precisa ser convertida em estrutura dramática, incidentes incitantes e conflito visual. Por fim, passaremos pela visão de Jean-Claude Bernardet e Julio Cabrera para entender como a câmera pensa e como a imagem produz significado próprio.
Aula 02 – O intraduzível e o não-dito: análise de casos Como o cinema resolve o que parece impossível de filmar? Nesta aula, aplicaremos a teoria em dois estudos de caso brilhantes. Em A Chegada (baseado no conto de Ted Chiang), veremos como a estrutura do roteiro e a montagem subvertem o tempo para traduzir um árido conceito linguístico. Em Não Me Abandone Jamais (baseado no livro de Kazuo Ishiguro), analisaremos o poder do subtexto: como o cinema lida com a omissão de informações e constrói a atmosfera de mortalidade usando o silêncio, a paleta de cores e o olhar, sem depender de didatismos.
Obras analisadas: A Chegada (Denis Villeneuve, 2016) e Não Me Abandone Jamais (Mark Romanek, 2010).
Aula 03 – O roteiro como literatura: a anatomia da cena
O roteiro de cinema tem valor literário próprio? Nesta aula, faremos o caminho inverso, analisando roteiros que foram publicados e lidos como livros. Discutiremos o formato do texto roteirizado (cabeçalho, ação, diálogo) e como ele orienta a imaginação do leitor de forma diferente da prosa tradicional. Partindo de O Agente Secreto, mergulharemos na genialidade de Charlie Kaufman, focando no roteiro original de Brilho Eterno como literatura de vanguarda e na sua complexidade descritiva e estrutural.
Obras analisadas: O Agente Secreto (Kleber Menonça Filho) e Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças (Charlie Kaufman).
Aula 04 – Autoria e autonomia: os “inadaptáveis” e o autor no controle
De quem é a autoria de um filme adaptado? Para fechar o curso, debateremos a autonomia da obra de arte cruzando dois cenários extremos. Primeiro, os chamados “inadaptáveis” obras literárias como Duna, que desafiam a linguagem cinematográfica e exigem do diretor uma reinvenção radical para existirem na tela. Em contrapartida, analisaremos o que acontece quando o próprio romancista assume o roteiro (como Gillian Flynn em Garota Exemplar ou Stephen Chbosky em As Vantagens de Ser Invisível). O autor é mais “fiel” ou é o primeiro a mutilar a própria obra em prol do cinema? A discussão coroará o conceito de que o filme é um organismo completamente independente do livro.
Caso tenha dúvidas, entre em contato pelo e-mail cursolivre.literatura@gmail.com