Horário síncrono: 19h30 – 21h30 (Horário de Brasília)
Datas das aulas: 15, 22 e 29 de setembro e 06 de outubro
Gravação disponível até: 31/10 e 31/12 (Plano Cátedra)
Via Google Meet – emitimos certificado
Sobre os professores
Débora Tavares é mestre e doutora em literatura pela Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), onde pesquisou a obra de George Orwell e sua relação com a História. Atua como professora, oferecendo cursos sobre literatura, relações entre arte e sociedade, assim como metodologia de pesquisa. Autora de ensaios nessa área, entre eles o posfácio “A esperança vem do plural” da edição de 1984 publicado pela editora Antofágica.
Caio Rubini é doutorando em História Social pela FFLCH-USP, Mestre em Pensamento Político e Social (Filosofia) pela University of Sussex (Reino Unido), historiador e professor de História pela Universidade de São Paulo (FFLCH/FE- USP), e bacharel em Comunicação Social — Jornalismo. Ministra cursos de Humanidades na Livre Literatura, com ênfase em História e Filosofia. Pesquisa elementos históricos e filosóficos do século XX e XXI a partir da Teoria Crítica, com ênfase na obra de Walter Benjamin e sua recepção crítica.
CRONOGRAMA
Neste curso vamos percorrer quatro momentos decisivos da história ocidental. Partindo da Antiguidade Clássica e chegando até o momento presente, analisaremos a relação entre o conhecimento adquirido sobre o passado e sua consequente reconstrução diante dos termos da indústria cultural, a partir de suas representações no cinema. Analisaremos escolhas de fonte históricas e historiográficas, afinal, de onde os diretores e produtores tiram suas informações? Além disso, vamos estudar a montagem de roteiro, escolha de atrizes e atores, fotografia e narrativa como escolhas que carregam interpretações históricas, e discutiremos os limites e as possibilidades do cinema como instrumento de memória, de crítica e de disputa pelo sentido do passado.
Aula 01 – Antiguidade Clássica, mito, narrativa e memória
A Antiguidade Clássica ocupa um lugar fundador na cultura ocidental, situada na fronteira entre mito e história. O cinema também tem uma relação fundadora com esse período, já que o épico histórico é um dos gêneros mais antigos de Hollywood, e sua trajetória atravessa momentos decisivos da própria indústria. Spartacus, de 1960, carrega o roteiro de Dalton Trumbo, então na lista negra do macarthismo, o que transforma a revolta de escravos romanos em alegoria sobre liberdade de expressão no auge da Guerra Fria. Vamos observar como esse mesmo material mítico é recontado por olhares e décadas diferentes, incluindo casos-limite de disputa entre direção artística e interesses comerciais, como Calígula, até chegar à disputa recente entre a leitura de Christopher Nolan e a representação intimista de Uberto Pasolini sobre o mesmo mito homérico.
- A Odisseia (The Odyssey, 2026), dir. Christopher Nolan
- O Retorno (The Return, 2024), dir. Uberto Pasolini
- Troia (Troy, 2004), dir. Wolfgang Petersen
- Spartacus (1960), dir. Stanley Kubrick
- Calígula (Caligula, 1979), dir. Tinto Brass
- Roma (série, 2005), HBO
Aula 02 – Idade Média: poder, fé e a construção da narrativa histórica
A Idade Média, tantas vezes reduzida ao termo “idade das trevas”, é também um território de disputa entre reconstrução histórica e estilização no cinema, além da forte romantização e idealização que o Medievo enfrenta através da indústria cultural. O período passa pelo próprio nascimento da linguagem cinematográfica, já que no cinema mudo Carl Theodor Dreyer usava o julgamento de Joana d’Arc para explorar o close-up como ferramenta expressiva, e décadas depois Laurence Olivier faria de Henrique V um instrumento de propaganda de guerra, financiado pelo governo britânico em plena Segunda Guerra Mundial. Nesta aula, vamos comparar essa tradição mais solene com revisões contemporâneas mais céticas quanto à heroificação medieval, como O Último Duelo, que reconta o mesmo evento histórico a partir de pontos de vista conflitantes, e The King, que despe Henrique V do verso shakespeariano para uma leitura mais crua do poder.
- Cruzada (Kingdom of Heaven, 2005), dir. Ridley Scott
- O Nome da Rosa (The Name of the Rose, 1986), dir. Jean-Jacques Annaud
- Henrique V (1944, Laurence Olivier)
- Em Busca do Cálice Sagrado (Monty Python, 1975)
- O Último Duelo (The Last Duel, 2021), dir. Ridley Scott
- The King (2019), dir. David Michôd
- Vikings (série, 2013), dir. Michael Hirst
- Rei Arthur (2004), dir. Antonie Fuqua
Aula 03 – Idade Moderna, Renascimento, colonização e Revolução Francesa
A Idade Moderna reúne alguns dos momentos mais revisitados pelo cinema histórico, do Renascimento à Revolução Francesa, passando pela colonização da América. Abrimos com o Renascimento e a relação entre arte e poder, seguimos para a colonização latino-americana, capítulo que o cinema europeu demorou a tratar de forma crítica, algo que muda a partir dos anos 1970 com o Novo Cinema Alemão de Werner Herzog, e encerramos no ciclo revolucionário francês e napoleônico, comparando a leitura política de Andrzej Wajda sobre o confronto entre Danton e Robespierre com a reconstrução recente que Ridley Scott faz de Napoleão.
- A Agonia e o Êxtase (The Agony and the Ecstasy, 1965), dir. Carol Reed
- Também a Chuva (También la Lluvia, 2010), dir. Icíar Bollaín
- Danton, o Processo da Revolução (Danton, 1983), dir. Andrzej Wajda
- Napoleão (Napoleon, 2023), dir. Ridley Scott
- Maria Antonieta (2006), dir. Sofia Coppola
- Elizabeth (1998), Shekhar Kapur
Aula 04 – Cinema Contemporâneo, como a atualidade se compreende e se torna narrativa na história do tempo presente
Se as três primeiras aulas observam como o cinema reconstrói o passado, esta última investiga o momento presente, ou seja, como o cinema recorre a estruturas históricas e especulativas para entender o próprio presente. Não Olhe Para Cima usa a estrutura do filme-catástrofe para falar de negacionismo climático. Parasita usa a casa como alegoria de desigualdade social, e Corra usa o gênero de terror para expor o racismo estrutural americano. Mountainhead fecha o curso olhando para o poder concentrado nas mãos de magnatas de tecnologia, radicalizando um debate que compõe todo o curso, sobre quem tem o poder de contar a história e a quem essa narrativa serve.
- Mountainhead (2025), dir. Jesse Armstrong
- Não Olhe Para Cima (Don’t Look Up, 2021), dir. Adam McKay
- Parasita (Parasite, 2019), dir. Bong Joon-ho
- Corra! (Get Out, 2017), dir. Jordan Peele
BIBLIOGRAFIA
BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas I: Magia e Técnica, Arte e Política. São Paulo: Brasiliense, 1994.
FERRO, Marc. Cinema e História. Tradução de Flávia Nascimento. São Paulo: Paz e Terra, 1992.
FINLEY, Moses I. O Mundo de Ulisses. Tradução de Armando Cerqueira. Lisboa: Editorial Presença, 1988.
HOBSBAWM, Eric J. A Era das Revoluções: Europa 1789-1848. Tradução de Maria Tereza Lopes Teixeira e Marcos Penchel. São Paulo: Paz e Terra.
ROSENSTONE, Robert A. A História nos Filmes, os Filmes na História. Tradução de Marcello Lino. São Paulo: Paz e Terra, 2010.



