15 de out, 2026

Termos de uso – como a desinformação virou norma (inédito!)

inscrições

Horário síncrono: 19h30 – 21h30 (Horário de Brasília)

Datas das aulas: 15/10, 22/10, 29/10 e 05/11

Gravação disponível até:  05/12 e 31/12 (Plano Cátedra)

Via Google Meet – emitimos certificado

Sobre os professores

Débora Tavares é mestre e doutora em literatura pela Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), onde pesquisou a obra de George Orwell e sua relação com a História. Atua como professora, oferecendo cursos sobre literatura, relações entre arte e sociedade, assim como metodologia de pesquisa. Autora de ensaios nessa área, entre eles o posfácio “A esperança vem do plural” da edição de 1984 publicado pela editora Antofágica.

Caio Rubini é doutorando em História Social pela FFLCH-USP, Mestre em Pensamento Político e Social (Filosofia) pela University of Sussex (Reino Unido), historiador e professor de História pela Universidade de São Paulo (FFLCH/FE- USP), e bacharel em Comunicação Social — Jornalismo. Ministra cursos de Humanidades na Livre Literatura, com ênfase em História e Filosofia. Pesquisa elementos históricos e filosóficos do século XX e XXI a partir da Teoria Crítica, com ênfase na obra de Walter Benjamin e sua recepção crítica.

CRONOGRAMA

Um curso em quatro encontros para oferecer ferramentas críticas para entender como o capitalismo de plataforma utiliza a desinformação, a indignação e o ódio organizado para manter as pessoas ocupadas, exaustas e politicamente desmobilizadas. A ideia é conectar o cotidiano com a estrutura econômica, mostrando que a mentira que chega no grupo da família e o cansaço que a gente sente ao abrir o celular são engrenagens de um sistema maior.

Aula 1 (15/10): Por que a mentira dá lucro?

Vamos começar o curso desmistificando a ideia de que a desinformação existe porque as pessoas são mal informadas ou ingênuas. Vamos entender como a atenção se tornou mercadoria, quem compra e quem vende esse tempo, e por que o conteúdo que provoca raiva rende mais que o conteúdo que informa. Discutiremos a cadeia de trabalho que sustenta um post viral, dos moderadores expostos a material extremo aos rotuladores de dados no Sul global, e a diferença entre o boato que circula sozinho e a operação que alguém pagou para existir.

Aula 2 (22/10): Como o algoritmo educa?

Nesta aula, analisaremos a recomendação automatizada e a geração de conteúdo por inteligência artificial como dispositivos de formação, e não como serviços neutros de organização. Veremos como a plataforma decide o que existe para cada pessoa, como a repetição produz a sensação de consenso, e como a geração sintética de imagem e voz encerrou a possibilidade de identificar a fraude pela percepção. Discutiremos o que a Resolução do TSE de 2026 conseguiu regular e o que ficou de fora, e por que a exaustão diante do noticiário é um resultado previsto do modelo de negócio.

Aula 3 (29/10): Por que o ódio contra mulheres e pessoas negras é rentável?

Aqui vamos encarar o ódio organizado como produto. Discutiremos por que o racismo e a misoginia circulam melhor que outros conteúdos, e como o sistema de reconhecimento facial que erra mais em rostos negros e a produção de deepfake sexual contra candidatas resultam da mesma infraestrutura aplicada a corpos diferentes. Analisaremos a manosfera, o Red Pill e o crescimento da misoginia organizada diante da precarização do trabalho masculino, e a apropriação de pautas antirracistas e feministas pelo marketing das mesmas empresas que lucram com o ataque a elas.

Aula 4 (05/11): Letramento não basta: para onde vamos?

Para fechar, vamos diferenciar a saída individual, que responsabiliza cada pessoa por checar o que recebe, de uma saída que muda a estrutura. Debateremos por que ensinar cada um a desconfiar não resolve o problema de quem financia a mentira, e como a comunicação pode ser pensada como direito público, com regulação, mídia comunitária, jornalismo local e educação. Discutiremos ainda o risco de o pensamento crítico virar suspeita generalizada, em que tudo parece igualmente duvidoso e nada parece decidível.

BIBLIOGRAFIA

Fundamentos teóricos

GRAMSCI, Antonio. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

VOLOSHINOV, Valentin. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Editora 34. [edição e tradução a confirmar]

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Leitura geral

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler. São Paulo: Cortez.

KLEMPERER, Victor. LTI: a linguagem do Terceiro Reich. Rio de Janeiro: Contraponto. [edição e tradução a confirmar]

ORWELL, George. “Recordando a Guerra Civil Espanhola” [1943], “A prevenção da literatura” [1946] e “Por que escrevo” [1946]. Em coletânea de ensaios em português. [volume e tradução a confirmar]

WILLIAMS, Raymond. Verbete selecionado de Palavras-chave.

Aprofundamento

ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro. São Paulo: Perspectiva.

ADORNO, Theodor. Educação e emancipação. Tradução de Wolfgang Leo Maar. Rio de Janeiro: Paz e Terra.

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense.

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BOURDIEU, Pierre. Sobre a televisão. Rio de Janeiro: Zahar.

FLUSSER, Vilém. O universo das imagens técnicas: redefinição da cultura e da comunicação. São Paulo: Annablume.

FOUCAULT, Michel. Vigiar e punir: nascimento da prisão. Petrópolis: Vozes.

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MARX, Karl. Manuscritos econômicos e filosóficos. São Paulo: Boitempo.

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KANT, Immanuel. Resposta à pergunta: que é esclarecimento? Petrópolis: Vozes.

ORWELL, George. 1984, com posfácio de Débora Tavares. São Paulo: Antofágica.

PLATÃO. A República. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian.

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SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. Democracia e os códigos invisíveis. São Paulo: Edições Sesc, 2019.

WEBER, Max. A ciência como vocação. São Paulo: Cultrix.

SRNICEK, Nick. Platform capitalism. Cambridge: Polity, 2017. Edição em espanhol: Capitalismo de plataformas, tradução de Aldo Giacometti, Buenos Aires: Caja Negra, 2018.