Horário síncrono: 19h30 – 21h30 (Horário de Brasília)
Datas das aulas: 15/10, 22/10, 29/10 e 05/11
Gravação disponível até: 05/12 e 31/12 (Plano Cátedra)
Via Google Meet – emitimos certificado
Sobre os professores
Débora Tavares é mestre e doutora em literatura pela Universidade de São Paulo (FFLCH-USP), onde pesquisou a obra de George Orwell e sua relação com a História. Atua como professora, oferecendo cursos sobre literatura, relações entre arte e sociedade, assim como metodologia de pesquisa. Autora de ensaios nessa área, entre eles o posfácio “A esperança vem do plural” da edição de 1984 publicado pela editora Antofágica.
Caio Rubini é doutorando em História Social pela FFLCH-USP, Mestre em Pensamento Político e Social (Filosofia) pela University of Sussex (Reino Unido), historiador e professor de História pela Universidade de São Paulo (FFLCH/FE- USP), e bacharel em Comunicação Social — Jornalismo. Ministra cursos de Humanidades na Livre Literatura, com ênfase em História e Filosofia. Pesquisa elementos históricos e filosóficos do século XX e XXI a partir da Teoria Crítica, com ênfase na obra de Walter Benjamin e sua recepção crítica.
CRONOGRAMA
Um curso em quatro encontros para oferecer ferramentas críticas para entender como o capitalismo de plataforma utiliza a desinformação, a indignação e o ódio organizado para manter as pessoas ocupadas, exaustas e politicamente desmobilizadas. A ideia é conectar o cotidiano com a estrutura econômica, mostrando que a mentira que chega no grupo da família e o cansaço que a gente sente ao abrir o celular são engrenagens de um sistema maior.
Aula 1 (15/10): Por que a mentira dá lucro?
Vamos começar o curso desmistificando a ideia de que a desinformação existe porque as pessoas são mal informadas ou ingênuas. Vamos entender como a atenção se tornou mercadoria, quem compra e quem vende esse tempo, e por que o conteúdo que provoca raiva rende mais que o conteúdo que informa. Discutiremos a cadeia de trabalho que sustenta um post viral, dos moderadores expostos a material extremo aos rotuladores de dados no Sul global, e a diferença entre o boato que circula sozinho e a operação que alguém pagou para existir.
Aula 2 (22/10): Como o algoritmo educa?
Nesta aula, analisaremos a recomendação automatizada e a geração de conteúdo por inteligência artificial como dispositivos de formação, e não como serviços neutros de organização. Veremos como a plataforma decide o que existe para cada pessoa, como a repetição produz a sensação de consenso, e como a geração sintética de imagem e voz encerrou a possibilidade de identificar a fraude pela percepção. Discutiremos o que a Resolução do TSE de 2026 conseguiu regular e o que ficou de fora, e por que a exaustão diante do noticiário é um resultado previsto do modelo de negócio.
Aula 3 (29/10): Por que o ódio contra mulheres e pessoas negras é rentável?
Aqui vamos encarar o ódio organizado como produto. Discutiremos por que o racismo e a misoginia circulam melhor que outros conteúdos, e como o sistema de reconhecimento facial que erra mais em rostos negros e a produção de deepfake sexual contra candidatas resultam da mesma infraestrutura aplicada a corpos diferentes. Analisaremos a manosfera, o Red Pill e o crescimento da misoginia organizada diante da precarização do trabalho masculino, e a apropriação de pautas antirracistas e feministas pelo marketing das mesmas empresas que lucram com o ataque a elas.
Aula 4 (05/11): Letramento não basta: para onde vamos?
Para fechar, vamos diferenciar a saída individual, que responsabiliza cada pessoa por checar o que recebe, de uma saída que muda a estrutura. Debateremos por que ensinar cada um a desconfiar não resolve o problema de quem financia a mentira, e como a comunicação pode ser pensada como direito público, com regulação, mídia comunitária, jornalismo local e educação. Discutiremos ainda o risco de o pensamento crítico virar suspeita generalizada, em que tudo parece igualmente duvidoso e nada parece decidível.
BIBLIOGRAFIA
Fundamentos teóricos
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Leitura geral
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Aprofundamento
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